Entrevistas

“Love Hurts não era para ter sido lançada”, diz Pete Agnew

By 11 de outubro de 2019 No Comments
O baixista Pete Agnew falou sobre a turnê brasileira do Nazareth
Prestes a desembarcar no Brasil, o baixista da banda Nazareth falou sobre a turnê brasileira e também sobre os 50 anos do grupo, além de relembrar o ex-vocalista Dan McCafferty.

Uma das bandas mais longevas do rock, sem dúvidas, é o Nazareth, que está na estrada há mais de 50 anos (e sem data para parar). A banda conta como inúmeros sucessos, como ‘Hair of the Dog’, ‘Dream On’ e a lendária ‘Love Hurts‘.

Os escoceses querem comemorar esse longo e bem sucedido caminho aqui no Brasil e chega para uma turnê em quatro cidades. Antes disso, o baixista e fundador do Nazareth, Pete Agnew, falou com exclusividade ao #VamosMusicalizar sobre toda a carreira da banda.

Antes de tudo, o Nazareth alcançou uma marca que apenas algumas bandas atingiram: 50 anos de carreira, então parabéns! Mas me conte alguns dos melhores momentos e os maus momentos desses anos.

Muitas coisas aconteceram, estamos falando de toda uma vida. Algumas das coisas mais memoráveis são quando você cria seu primeiro álbum, tem seu primeiro hit, faz a primeira turnê fora do país. Todas essas coisas aconteceram há muito tempo, então não consigo lembrar muito bem como foram.

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Agora você é o último membro original restante, como foi para você ver a banda mudar ao longo dos anos?

São pequenas mudanças, quero dizer, algumas trocas de músicos. É bom tocar com diferentes pessoas, porque elas trazem uma nova realidade, diferentes influências para a banda. Tem sido uma viagem interessante, eu, particularmente, adoro tocar com todo mundo que está nessa formação. É difícil perceber isso quando você está dentro da banda, as coisas simplesmente acontecem e você ‘ah, se lembra quando a gente tocou assim?’. Mas algumas coisas são meio estranhas, como ser o único da banda original.

E um dos melhores momentos da banda é o enorme sucesso de Love Hurts, por exemplo, que foi um sucesso instantâneo. E é uma música original da Everly Brothers, como essa música chegou ao Nazareth, como você percebeu que se encaixaria no estilo da banda?

Nós simplesmente tocávamos algumas músicas de bandas que gostávamos de tocar durante o ensaio e uma delas era Love Hurts. Também gostávamos de gravar essas músicas que tocávamos, Love Hurts acho que foi uma das primeiras rock ballads e, originalmente, não preparamos nem para lançar ela no lado B do disco, mas a gravadora colocou a música no álbum, o que não era para acontecer, e se tornou um hit monstruoso. Nós nunca nem gravamos ela para ser um single, então foi uma grande surpresa para nós. Foi uma música que teve uma boa aceitação das pessoas, especialmente no Brasil.

Um DJ do Texas parece que gostou dessa música e ficou tocando o tempo todo, até que várias estações de rádio da região foram tocando Love Hurts. Nós não fizemos absolutamente nada para que se tornasse um hit por todo o mundo, é estranho imaginar que uma pessoa só foi responsável por tudo isso, já imaginou?

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Vou te contar uma coisa: ontem eu estava lavando a louça (risos) e coloquei uma playlist aleatória do Nazareth no meu Deezer, depois percebi o quão diferente é uma música para outra, você sabe, o estilo. Você pode passar de uma música do Hard Rock para uma romântica, isso é natural ou vocês planejam antes de usar essa diversidade?

Tudo que nós gravamos, primeiro, nós temos que gostar. Não importa se é mais pesado ou romântico, se gostarmos da música, é o suficiente. Se for um cover, você tem que gostar da sua versão, porque, a partir daquele momento, é sua música também. O que faz a banda durar tanto tempo é justamente essa diversidade nas músicas, eu não consigo tocar em uma banda que, por exemplo, toca só Hard Rock, não consigo em uma banda que toca apenas uma coisa, tudo se torna muito parecido. O que importa é ser uma boa música, não importa o estilo.

E, falando sobre essa tecnologia de streaming, viemos de uma geração física, você sabe, vinil, CD, mas agora muitos jovens estão tendo seu primeiro contato com o Nazareth pelo Spotify, Deezer ou mesmo por comerciais de TV onde suas músicas estão nele. Você vê essa evolução etária na série também?

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Quando tocamos ao vivo, as pessoas que estão na frente parecem ter as mesmas idades de antes, geralmente são os mais jovens. Nós ainda conseguimos atingir pessoas de 18 a 25 anos, porque é rock! Mas se olharmos mais adiante, nós vemos os mais velhos tranquilos, segurando uma cerveja (risos). As músicas do Nazareth marcaram as vidas de ambos os públicos, não sei se pelo CD, vinil ou comerciais de TV.

O último álbum, ‘Tattooed on my Brain‘, é um álbum incrível, muito poderoso, realmente rock n’ roll. Quando você vai para o estúdio, existe um sentimento de obrigação ou você ainda se diverte gravando?

Quando nós vamos para o estúdio, não vamos apenas porque temos que fazer um álbum. Nós temos que sentir que queremos gravar um álbum. Mesmo depois de tantos anos, ainda nos divertimos fazendo isso, porque você não faz isso porque é um trabalho duro, faz porque gosta daquilo. Também, participamos de todo o processo, sempre tocamos todas as músicas, participamos da mixagem. É um sentimento muito bom, mesmo depois de 24 álbuns. Vamos gravar o 25º, mas não sei se te dizer se vai ser esse ano ou ano que vem, porque ninguém disse ainda, vamos fazer quando nos sentirmos bem com isso.

E esse álbum foi o primeiro sem Dan [McCafferty]. Quero dizer, Carl é um tremendo tremendo, com uma voz poderosa, um verdadeiro frontman… Mas como foi olhar para o seu lado e não vê seu parceiro de banda há tantos anos?

É muito estranho. Imagine, Dan foi a pessoa com quem mais convivi na minha vida, ele esteve comigo por 45 anos ou algo assim. No início, é bem complicado, porque somos melhores amigos por tantos anos e, de repente, você perde a presença nos dias de banda e também nos palcos. É uma mistura, porque foi estranho, mas ao mesmo tempo, gostamos de ter algo novo com a gente. Eu realmente adoro a banda atual, temos uma química muito boa no palco e fora também.

Uma curiosidade é que Axl Rose, do Guns n’ Roses, é um grande fã do Nazareth. Como é para você saber que é tão importante para alguns grandes artistas e bandas?

Quando fui ver eles, eram jovens rapazes e me disseram que eram grandes fãs do Nazareth. E de repente, se tornaram grandes estrelas, com todo merecimento, inclusive. É bom saber que você, de alguma forma, influenciou pessoas que tiveram uma grande carreira, que você influenciou em algum momento uma carreira tão bem sucedida.

Muitas bandas fizeram covers de algumas músicas do Nazareth, um exemplo é a versão GN’R de ‘Hair of the Dog‘. Você tem uma versão favorita de outra banda tocando Nazareth?

Acho que a versão do Michael Monroe (ex-Hanoi Rocks) de ‘Not Fakin’It’ muito boa, é claro, não posso esquecer do Guns n’ Roses [Hair of the Dog, para o álbum ‘The Spaghetti Incident?’]. Mas uma das melhores foi quando Dan e eu fomos tocar em Tóquio, e estávamos no elevador do hotel e começou a tocar uma música, era uma garota cantando em japonês, e aí fomos perceber que ela estava cantando ‘Bad, Bad Boy’. Então, ter uma garota japonesa cantando “I’m a bad, bad boy” [eu sou um garoto muito mau] foi certamente memorável (risos).

Ao longo dos anos, o Brasil, com certeza, faz parte da história do Nazareth, como o DVD que vocês gravaram em Curitiba, em 2007. Conte-me algumas boas lembranças que você tem aqui.

Quando chegamos ao Brasil pela primeira vez, a reação das pessoas foi muito louca, estavam cantando todos os hits. A primeira coisa que presto atenção na plateia é a reação, e nisso o público brasileiro é fenomenal. Nós não costumávamos a tocar o lado B, até quando fomos ao Brasil, em 1990, porque a reação foi tão incrível e tocamos. O público, definitivamente, se torna parte do show no Brasil. Tocar no Brasil é como se fossemos um jogador que estivesse jogando dentro de casa, com toda a torcida empurrando, isso nos faz jogar melhor.

NAZARETH NO BRASIL

O Nazareth chega ao Brasil no final de outubro e início de novembro para uma turnê em quatro cidades: Curitiba (31/10), São Paulo (01/11), Brasília (2) e Belo Horizonte (3)

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