"As pessoas perdem o tempo delas dizendo coisas horríveis sobre você na sua própria página no Facebook", diz Calico Cooper - #VamosMusicalizar

"As pessoas perdem o tempo delas dizendo coisas horríveis sobre você na sua própria página no Facebook", diz Calico Cooper



Tradução: Laila Resende
Entrevista/Reportagem: Pedro Gianelli

Calico Cooper hoje não é conhecida apenas por ser filha dos lendários Alice Cooper e Sheryl Cooper, mas sim por ser vocalista da banda Beastö Blancö, que também é comandada pelo baixista de Alice (mas guitarrista e vocalista na Beastö) Chuck Garric.

Atriz, cantora, dançarina e uma excepcional performer nos palcos, Calico é peça fundamental para o sucesso da banda Beastö Blancö e sempre mantém sua irreverência fora dos palcos e nas mídias sociais. O #VamosMusicalizar bateu um longo papo com Calico sobre a influência das redes sociais no meio musical e também sobre sua banda. Confira:


Pedro Gianelli: Primeiramente, eu sempre te vejo principalmente no Instagram e no Twitter. Por que a mídia social é tão importante esses dias pra uma banda?

Calico Cooper: Sabe, elas tiram a divulgação das gravadoras. Elas continuam divulgando, ainda entram com o dinheiro, mas o prazer está no artista, sendo ele um ator ou uma banda. Esses dias você tem a plataforma das redes sociais, então, quer dizer, algumas pessoas ligam e outras não. Eu comecei meu Instagram e eu não divulgava, eu não colocava muito sobre minha atuação, sobre a banda, eu era só engraçada. E do nada são dez mil, onze mil, doze mil, treze mil, e eu percebi que as pessoas estavam reagindo a mim sendo engraçada, não tipo “nossa, olha essa minha selfie”, ou uma foto minha sem roupa, você sabe. Então, de vez em quando é bom divulgar… Obviamente você quer que pessoas saibam o que você está fazendo, que vejam seus novos projetos, mas ao final de tudo, eu poderia melhorar na divulgação de projetos nas redes sociais, eu só meio que me sinto brega às vezes, sabe? Tipo, eu adoro que as pessoas saibam onde estamos tocando, quando estamos tocando, quando meu filme sai, quando minha série vai ser lançada, mas eu não sei, acho que tem um limite.

P.G.: É meio assustador, sabe, as pessoas querem ver de tudo!

Resultado de imagem para calico cooper beasto blancoC.C.: É! Na verdade, tem uma música muito interessante que eu ouvi de uma banda chamada Relient K, se chama “Look on Up”, é meio que uma balada, mas sobre como estamos todos enterrados nos nossos celulares e computadores e é tipo, eu nem percebo o tempo que eu gasto nisso. Eu poderia ter escrito um álbum novo.


P.G.: Nos seus posts, você sempre pensa antes de postar algo? Tipo, isso é bom pra postar, isso não é…tem algum processo por trás dos seus posts nas redes sociais?

C.C.: Acho que quando você pensa demais, não fica autêntico, e no meu caso, eu posto algo… Tipo, eu zoo a mim mesma. Eu sou a primeira pessoa a dizer que estou ridícula ou algo estúpido, mas eu acho que quando você começa a se levar muito a sério e fica horas e horas tipo “o que eu vou dizer, quais vão ser as hashtags?” Pra mim, quando vejo esse tipo de postagem, eu sei que a pessoa passou um tempão analisando a foto ou, sabe, tentando pensar na coisa certa pra falar… Às vezes o mais engraçado é a primeira coisa que vem na sua cabeça.

P.G.: Sim, exatamente. E sobre os posts da Beastö Blancö, acho que tem muito mais processo por trás do post, certo?

C.C.: Sim, porque aquilo é trabalho. Eu geralmente não olho pra mim mesma tipo... Eu sou meu próprio trabalho, então na atuação, tudo é meio independente, mas com Beastö eu sou parte de um grupo. Quando postamos coisas, sabe, precisamos fazer isso em determinado tempo pras pessoas saberem quando estamos chegando, quando vamos à Europa por um mês. Então, queremos que todo mundo saiba e vai continuar. Tem uma ciência para a mídia, com certeza.

P.G.: Vamos falar mais sobre o Instagram, porque são mais fotos e vídeos. Mas eu sempre vejo que as pessoas querem ver o que os artistas estão fazendo em dias livres, etc. Você acha que é assustador, por exemplo, mostrar a sua vida fora do palco, sua família, seus amigos, tudo que você faz?

C.C.: Sim. Se você for pensar, só porque estou numa banda mais notável ou tenho pais famosos, tipo, eu acho que preciso ser mais cautelosa, mas acho que a maioria das pessoas querem que todos vejam o que estão fazendo, tudo que estão comendo, a hora que se sentam, quando vão pra um aeroporto… No meu caso, eu desligo todas as minhas localizações, e sempre que posto algo, pergunta “você quer dizer onde está?” Não, eu não quero dizer onde estou! As pessoas vêm até minha casa pro Natal, tiram fotos e se marcam na minha casa! Todo mundo no Facebook sabe onde eu moro! Eu não consigo fazer isso!

P.G.: É muito assustador, eu não acho que consigo lidar com isso.

C.C.: Você é uma daquelas pessoas que sentam e tiram foto da comida?

P.G.: Sim, sim, pode ser que sim.

C.C.: É muito lindo. Tipo eu entendo que se eu estivesse jantando com o Wolfgang Puck, eu vou tirar fotos da minha comida, mas tipo… Uma salada é uma salada (risos).

P.G.: Eu só tiro fotos de, por exemplo, hambúrgueres enormes, aquele hambúrguer lindo, e só uma foto, mas eu preciso comer antes.

C.C.: Então, coma antes que esfrie!

P.G.: Exatamente! A plataforma, sabe, Twitter, Instagram , Facebook, importa pra você, você muda o jeito de postar, por exemplo, se é uma coisa no Twitter, no Instagram é outra coisa?

C.C.: Sim. Pra mim, o Facebook é mais trabalho, então as coisas que eu posto lá são para que eles possam ver o show, assistir na TV, tanto faz. O Instagram começou pra mim e continua pra mim. Eu recebo ofertas o tempo todo para “ei, você pode promover esse produto e eu te darei 2.000 dólares se você falar sobre ele a cada 2 semanas”. Eu não aceito as ofertas, porque eu acho que preciso de um canal da mídia só pra mim. Não tenho restrições, posso ser o quão engraçada quiser, posso ter a liberdade de tipo, se eu quiser postar uma foto de qualquer coisa, eu posso. Você também deve conhecer sua marca. Tipo, tem várias fotos minhas de roupa íntima, mas eu nunca vou colocá-las na internet pra ficar “ah, tô aqui andando de roupa íntima hoje, #relax”. Não é meu estilo, sabe, se eu tiver esse tipo de foto eu vou colocar algo engraçado.

P.G.: Eu sei, eu sei.

C.C.: Acho que isso me torna relacionável, ao invés de “olha como minha vida é perfeita”.

P.G.: (Risos) Eu te entendo. É algo que por exemplo, eu uso muito o Twitter, sabe. Mas eu sempre sou engraçado no Twitter, algo que eu não sou no Facebook, por exemplo. Pra mim o Facebook é trabalho também.

C.C.: Não parece que tipo, por mais que não seja, o Twitter é um pouco mais pessoal? Eu não sei por que é assim, mas parece que o Facebook é um trabalho em grupo gigante. Se eu quero anunciar algo no Facebook, é o caminho certo. Se eu tenho um pensamento que é um pouco mais poético que o normal ou meio que mais emotivo, vai pro Twitter. Agora, se eu tiver algo engraçado pra dizer, vai pro Instagram (risos).

P.G.: Exatamente. O meu Twitter é cheio de memes, sabe, algo muito engraçado. Mas no Facebook eu sou tipo, ‘ok, isso é trabalho e não vamos postar nada aqui agora, ok’?

C.C.: Sim, no Facebook tem tanto… Eu fico até chateada, tipo… Eu amo a ideia do Facebook, é uma ótima ideia. Mas eu acho que agora quando eu entro lá eu nem olho pro meu feed mais, eu vou direto pra minha página, porque é uma discussão gigante, o tempo todo. Se você disser “pra cima”, alguém diz “pra baixo”, se você disser “esquerda”, alguém diz “direita”, tipo há um ponto ridículo em que as pessoas realmente está discutindo sobre isso. Sempre tem alguém que vai ter algo a dizer sobre qualquer postagem sua, então eu acho que, pra mim especificamente, eu não acho que as pessoas sabem que eu vejo algumas coisas que elas postam, mas elas dizem coisas horríveis sobre mim ou meu pai na minha página!

P.G.: Exatamente!

C.C.: Eles não acham que eu sou um ser humano real que lê essas coisas. Tipo, se eu estiver na sua página e escrevesse algo terrível sobre o seu pai lá, você provavelmente viria até aqui e me daria um soco na cara. Eu não faria isso. “Ah, fazer o quê, vocês são uma família famosa”, mas nós ainda temos sentimentos.

P.G.: Sim, acham que só porque vocês são famosos, tipo mãe e pai famosos, que vocês não têm sentimentos, certo?

C.C.: É, porque você não vai postar isso na página de alguém que se importa, tipo, você gastou seu tempo pra ir na minha página privada e colocar algo desprezível, eu acho que isso é tão baixo.

P.G.: Bom, essa é uma pergunta difícil, mas vamos lá. Qual é o segredo? Porque você e Beastö Blancö nas redes sociais, inclusive, são muito conectados, sabe? Qual o segredo, então?


C.C.: Eu acho que é a autenticidade. Eu acredito nisso, acredito que as pessoas sabem quando você está mentindo, sabem quando está anunciando produtos só por anunciar, acho que você pode quase ler isso, tipo, eu consigo olhar pra uma foto e saber que ela foi copiada, consigo ler um post e sentir que aquela pessoa levou 2 dias pra chegar à coisa certa pra dizer, eu acho que as pessoas gostam de mim e gostam da Beastö porque somos autênticos, somos uma banda de Rock n’ Roll, eu sou uma garota do Rock n’ Roll. Eu não estou tentando fazer com que goste de mim, mas se gostar isso é ótimo. Inclusive, ser uma garota em uma banda, tipo minha “persona” no palco e um monte de personagens que eu faço na TV e no cinema são bem intensas e assustadoras… Mas a verdade é que eu não estou tentando ser essa pessoa. É um personagem que eu enceno. Tipo, fora das câmeras eu sou uma bobona, sabe? Eu uso óculos, eu jogo Dungeons and Dragons, eu sou uma geek! Mas eu não tento correr ou me esconder disso, e eu acho que muitas pessoas falam tipo “ei! Eu também!”, e eu acho que o segredo de as pessoas te seguirem… Porque às vezes eu vou no Instagram e olho algumas pessoas que eu não conheço que me seguem e eu penso “ah tá”. E é sempre isso. São pessoas reais, que querem entrar no Instagram e rir. E se eu puder oferecer isso, então eu fiz meu trabalho.

P.G.: Sim, ótimo. Apenas sendo você mesma, certo?

C.C.: Eu acho que sim! Acho que você vai descobrir que mais pessoas vão… Até mesmo na vida, vão até você, porque essa é a manha: se você fingir ser alguém que não é, o tipo errado de pessoa pode gostar de você, mas aí você tem que fingir ser aquela pessoa pra sempre.

P.G.: É…é. Isso é ruim pra você, sabe, se você for alguém que não é, isso é ruim pra você, não para os outros.

C.C.: Sim, porque tipo se você finge, digamos, que você tem muito dinheiro e você fica sempre postando coisas sobre quanto dinheiro você tem e o quão bem de vida você é… Todo mundo que quer estar perto de gente rica vai se juntar a você, e aí você tem que continuar com aquela mentira.

P.G.: Sim, exato.

C.C.: Ao contrário de ser tipo “oi, eu tenho dificuldades, mas estou feliz, e olha essa foto do meu cachorro”. Isso é real! Tipo, esses são os posts que eu olho, sabe.

P.G.: Sim, isso é real. Então, por ter essa parte engraçada/estranha em todo emprego, você costuma receber mensagens inapropriadas de fãs? Como você lida com tantos seguidores?

C.C.: Sim, eu recebo várias mensagens bizarras. Sabe, coisas que as pessoas pensam que posso ajudá-las financeiramente ou algo assim, você ficaria surpreso com as mensagens loucas que eu recebo. Mas sabe, ao mesmo tempo eu pratico e digo “você é uma pessoa louca e você está acolhendo isso. Você vai chegar e dizer ‘foi mal, não posso te ajudar’”. Sabe, eu não vou te ignorar.

Mas eu recebo pedidos de casamento, recebo fotos nuas o tempo todo… Muita gente realmente acredita que nós temos uma amizade ou uma relação, então eu recebo e-mails ou DMs de pessoas que eu não conheço, mas elas falam comigo como se eu as conhecesse. Então, alguém que eu nunca conheci escreve: “Oi, Calico. Então, eu conversei com Dan ontem e ele não entendeu o porquê de você não comparecer a tal evento”, e eu fico tipo… Quem é Dan? Do que você está falando?! (risos) É muito engraçado. Às vezes eu bebo vinho e leio minhas DMs e rio a noite toda.

P.G.: Isso é entretenimento, certo? (risos)

C.C.: Sim! (Risos)

P.G.: Bem, e sobre Beastö, eu acho que é uma ótima ideia ter uma garota na banda, sabe, não apenas uma garota, mas ter você na banda. Como vocês tiveram essa ideia?

C.C.: Sabe, Chuck e Chris começaram a Beastö há muito tempo, e eles trouxeram Jan e Tim. E então eu acho que eles queria fazer uma turnê na qual… Sabe, eu sou uma “showman”, então eu fui apresentada no começo mais visualmente, porque eu estou em toda parte, eu danço, eu canto, eu faço várias coisas. Acho que foi mais um “vamos ver como isso funciona”, mas eu amei tanto a música, aquele primeiro álbum, eu amei estar no palco com aqueles caras e do nada era tipo… uma unidade entende? No álbum seguinte eu já tinha opinião nas músicas, em como cantávamos, o que acontecia no palco… Então eu acho que nós cinco realmente doamos nosso coração para a classe trabalhadora. Todas as nossas músicas são sobre pessoas que não têm muita coisa dada a elas, que levantam, batalham, sabe, trabalham duro e tipo, não pedem por esmola, sabe, os verdadeiros trabalhadores. Acho que todos nos identificamos, porque é isso que a banda é, a gente não anda por aí de jatinho, a gente tá batalhando.

P.G.: Sim, sim. É uma banda de Rock de verdade.

C.C.: Sim, você não sente falta disso? Acho que todos sentimos falta de bandas de Rock. E ao invés de ficarmos triste por não ter nada parecido na indústria, vamos ser essas pessoas.

P.G.: Sim. Eu me lembro, por exemplo, quando Guns N’ Roses saiu, a paixão, o espírito que eles tinham no começo sabe, nós sentimos falta disso e precisamos de bandas assim, e eu acho que a Beastö está fazendo isso de forma fantástica.

C.C.: Eu amo o fato de você ter dito isso, porque, até hoje, por que você acha que quando uma música do Guns toca no rádio você ainda diz “yeah”? Sabe? Porque foi feita com a mentalidade do Rock n’ Roll, sem glitter, sem… Eram só bandanas e Rock e “vamos fazer o que pudermos”.

P.G.: Sim, só aqueles 5 caras, sabe, mandando ver no palco… É algo realmente incrível. E Beastö está voltando com essa ideia, certo?

C.C.: Sim. Quando subimos no palco, não importa se são 200 pessoas ou 2.000, acreditamos que estão todas no palco. Se eu conseguir andar quando o show termina, quer dizer que não dei o meu melhor. Eu chego ao meu limite, mas é igual a gente estava falando antes sobre a mídia, isso é real. É autêntico. Ninguém está me pedindo pra fazer isso. Chuck nunca disse “ei, por que você não se esforça ao ponto de mal conseguir sentar?”. É o que eu precisava fazer, e as pessoas reagem, pois é real.

P.G.: Sim. E a banda é bem nova, mas vocês têm muitos fãs e vocês criaram essa base de fãs bem rapidamente. Deve ser por causa dessa paixão, certo?

C.C.: Sim. A paixão e a autenticidade e também esses fãs que apoiaram os dois primeiros álbuns, e agora vamos lançar um terceiro álbum. Tipo, vocês e as pessoas que apoiaram são a base. Então, o que acontecer a partir daqui é só a cobertura. Ter vocês apoiando isso e gostando da música e vindo para os shows, sabe, Beastö acha suas forças na multidão. Quando há uma multidão que é apaixonada pelo que você faz, você acha fontes de energia. Eu consigo continuar porque eu quero estar naquele lugar com vocês, eu quero estar fazendo isso com vocês. Não parece que estamos no palco e vocês na plateia, parece que estamos todos fazendo isso juntos.

P.G.: E sobre o terceiro álbum de estúdio, como ele está agora?

C.C.: Está indo muito bem. Estamos na metade, voltamos para o estúdio no ano novo… Nesse álbum, estamos tentando…estamos fazendo muitas faixas da Beastö que soam como músicas da Beastö, e estamos fazendo algumas que são um pouco diferentes pra nós. Mas, repetindo, eu acho que a nossa base principal de fãs vai ouvir e dizer “ok. Legal”. E cada música é diferente, esse álbum é muito massa. É o tipo de álbum que se eu não conhecesse a banda, eu ficaria tipo “quem são esses caras?”.

P.G.: Certo. Eu tenho um álbum do Beastö aqui e eu o adoro. O álbum novo vai ser algo diferente do primeiro ou do segundo, ou a mesma Beastö Blanco?

C.C.: Terão algumas músicas que você vai ouvir que é tipo quando você escuta AC/DC, “ah, isso é uma música do AC/DC”. Então vão ter algumas músicas mais tipo “essa é claramente uma música da Beastö Blancö”. Mas nós fizemos umas mudanças legais esse ano, mais pro Blues e Pop, Rock mais pesado e Stoner Rock… Nós adicionamos coisas massa que todos nós gostamos. Tem um riff que o Chris Latham, nosso guitarrista toca numa música chamada “We Got This” que é o riff mais legal que eu já ouvi, eu tô te falando, eu disse “Chris”... Estávamos no estúdio e esse riff era impossível. Aí ele toca e eu olho pra ele e digo “você é literalmente meu novo guitarrista favorito” (risos).

P.G.: Pelo menos nessa banda. (risos)

C.C.: (risos) Não só nessa banda, tipo, o melhor! Eu só queria tocar o riff de novo e de novo, porque faz meu coração bater mais forte, é massa demais.

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