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Skank vai tocar na Festa da Cerveja o que os fãs quiserem


Em entrevista exclusiva, o tecladista da banda, Henrique Portugal, pediu para que divinopolitanos levem cartazes com nomes das músicas preferidas


O Skank é, sem dúvidas, um dos maiores, senão o maior, ícones da música mineira de todos os tempos, o que hoje não fica apenas no estado de Minas Gerais, mas agora a banda já figura entre talvez os cinco maiores nomes da música brasileira.
Formada por Samuel Rosa (vocal), Henrique Portugal (teclados), Lelo Zaneti (baixo) e Haroldo Ferretti, o Skank está a apenas sete dias de voltar à Divinópolis, a banda se prepara para um show que, segundo um dos integrantes da banda, Henrique Portugal, promete ser inesquecível. Em uma entrevista exclusiva ao Gazeta do Oeste/#VamosMusicalizar, o tecladista contou sobre toda a história do Skank e também das expectativas para o grande show na Festa da Cerveja 2016, no dia 24 de setembro. Confira:
Pedro Gianelli: As músicas do Skank têm um diferencial muito interessante, pois elas são apenas partes da vida da banda, elas fazem parte da verdade da banda. Qual é a diferença que você vê entre esse tipo de canção e outras que são apenas invenções e podem não ter nada relacionado com a banda?
Henrique Portugal: Olha, nós acreditamos que todas as nossas músicas elas são parte das nossas vidas, as letras fazem parte da nossa história, dos nossos valores. Mas, obviamente, como nós temos muito tempo de carreira, algumas coisas acabam mudando com o passar do tempo. Assim como ‘Garota Nacional’ e ‘Vou Deixar’ são importantes, outras, como ‘Esquecimento’, ‘Ainda Gosto Dela’,  também têm seu lugar, todas elas têm sua história, falam de determinados momentos de nossa carreira.
P.G.: Henrique, no nosso site e no Gazeta do Oeste, fazemos muitas entrevistas com nomes do rock e metal, e muita gente não sabe, mas você teve uma participação essencial nos primeiros passos do Sepultura. Como foi isso e como foi a transição até chegar ao Skank?
H.P.: Olha, eu gravei três discos com o Sepultura (‘Schizophrenia’ – 1987, ‘Beneath the Remains’ – 1989, ‘Arise’ – 1991), isso tudo ocorreu mais como uma necessidade. O Skank começou independente e os primeiros discos do Sepultura foram lançados por um selo de BH, que é a Cogumelo. Resumindo a história... Foi mais algo relacionado à parceria mesmo. Então, o Max [Cavallera] bateu campainha na minha casa, e disse: ‘Pô, estamos querendo um teclado, um som diferente no álbum, você pode fazer isso’, respondi: ‘claro, será um prazer’. Foi assim que acabou acontecendo tudo.
P.G.: No início do Skank, houve aquela preocupação com a indústria fonográfica e com o público? Pois é claro que existem as exigências e as mudanças nesse mundo.
H.P.: Eu acho que todo artista tem a sua preocupação estética, do que está acontecendo, onde sua música está sendo veiculada, onde a entrevista vai ser publicada, isso faz parte da vida de todo artista. Nós, pelo fato de termos começado de forma independente, sempre aprendemos a cuidar de todas as partes, seja compor as músicas, gravar, vender os álbuns para as lojas, entender como funciona a assessoria de imprensa, pois temos assessoria há muitos anos, e é justamente por isso, para que o que nós falamos, nossos posicionamentos, saia e seja divulgado da melhor maneira possível. Claro, a música é o eixo central de tudo isso, mas nós nos desenvolvemos de forma que conseguimos cuidar muito bem de tudo isso, seja na capa, no material de merchandising que está sendo vendido no show, onde a música vai ser divulgada, a gente sempre se preocupa com isso.
P.G: O Skank lançou recentemente o álbum ‘Velocia’, depois de 6 anos sem lançamento de um disco de inéditas, qual é a diferença que você vê na banda, tanto em termos de velocidade de lançamentos quanto de som também?
H.P.: O ‘Velocia’ foi um disco em que entramos no estúdio e falamos: ‘olha, agora a gente está pronto para lançar um disco de qualidade, algo que nossos fãs gostem’. Esse hiato de 6 anos, na verdade, lançamos alguns projetos, não lançamos um álbum completo de inéditas, mas lançamos o Ao Vivo no Mineirão, o projeto Skank 91, o nosso show no Rock in Rio. O ‘Velocia’ foi o nosso álbum de inéditas que estávamos tranquilos no estúdio, estávamos prontos para aquilo. Chegamos à conclusão de que ele foi um resumo de tudo que fizemos antes, de toda a mistura, mas a cada mistura demos um passo adiante. Usamos a influência do início, que é a música jamaicana, a música ‘Multidão’ tem algo mais no ritmo Dub, ‘Ela me Deixou’ é um Ska, a gente nunca tinha feito isso, que é essa coisa mais alegre, a gente usava outras referências. Nós fomos misturando novos elementos, mas que são conhecidos do nosso público e de uma forma diferente. E isso deu certo, porque o disco foi super bem recebido, já estamos preparando a terceira música de trabalho, que se chama ‘Do Mesmo Jeito’. Vamos lançar no mês que vem uma versão especial do ‘Samba Poconé’, tem ‘Garota Nacional’, ‘Uma Partida de Futebol’, ‘Tão Seu’, é um álbum triplo, com materiais inéditos de estúdio, versões diferentes das músicas, para aquelas pessoas que gostam de entender como era nossa gravação demo, como gravamos antes de lançar o álbum, para apresentar para a gravadora.
P.G.: O Samuel fez parte de uma versão de ‘Saideira’ com o Santana, e a banda gravou a música ‘Esquecimento’, do último álbum, com a orquestra de Londres, como é ver as músicas que vocês fazem sendo executadas por grandes ícones da música mundial? E qual é a diferença de aceitação do público estrangeiro e do público brasileiro para com essas músicas?
H.P.: Essa história do Samuel é interessante porque quem fez o convite foi o próprio Santana e o Samuel foi lá em Las Vegas gravar com ele. Ficamos muito felizes, porque o Skank voltou a chamar a atenção do mercado latino-americano. Agora, essa história de gravar com uma parte da Orquestra Sinfônica de Londres, inclusive fui eu quem foi lá, como o próprio arranjador deles, que é um cara que acabou de trabalhar com o Sting e o Bruce Springsteen, falou: ‘Henrique, esses caras são os caras que gravam Star Wars!’, então eu fiquei super feliz. Porque esse é o cuidado que a gente tem com a música, que temos com nossa história, poderíamos economizar na gravação, mas gostamos de fazer sempre o melhor possível, porque vivemos de música porque gostamos de música, é o que sabemos fazer. Porque às vezes você vê muitos músicos fazendo outra coisa, apresentando programas de TV, mas o que a gente sabe fazer é tocar e gostamos de fazer bem, e eu acho que o público entende e responde bem isso, que é aquilo que você falou no início, ‘por que que soa diferente das outras coisas?’, eu acredito que é pelo amor e pela dedicação que temos com a música.
P.G.: Vocês tocam em Divinópolis no próximo dia 24, na Festa da Cerveja, por mais que seja uma cidade próxima da capital, existe essa diferença do público quando vocês tocam em capitais e cidades do interior?
H.P.: Olha, cada cidade tem uma característica diferente. Divinópolis é uma cidade que a gente toca desde o primeiro álbum, eu lembro muito de a gente tocando na Savassinha, num domingo à noite, e um show, cara! A gente parou o ônibus atrás do palco, chegamos em cima da hora, uma multidão na Savassinha! (Risos) A Festa da Cerveja é uma festa que se tornou tradicional. E as pessoas muitas vezes perguntam: ‘vocês não cansam de tocar?’, mas cada show é diferente, cada lugar é diferente, cada público é diferente. E a gente tem um carinho muito grande por Divinópolis, baseado nesse show na Savassinha, há quase 20 anos atrás (risos).
P.G.: E tem um músico de Divinópolis na banda, o Pedro Aristides, trombonista!
H.P.: Isso! Eu fico até emocionado, foi inclusive na Festa da Cerveja, o Samuel chamou o Pedro, e o Pedro foi lá na frente, no palco, e ele falou: ‘eu fico feliz de estar aqui no palco, porque um dia eu estava aí no meio da plateia’. E isso é uma coisa muito legal, toda vez que vamos à Divinópolis, o pai dele sabe fazer quibe cru, comida árabe, e leva comida árabe para nós no camarim. Então é uma relação carinhosa, essas coisas marcam, e isso é resultado do respeito que nós temos pela nossa música e pelo nosso público.
P.G.: Nós vemos que o Skank tem muitos hits na boca do povo, até mesmo músicas atuais, o que é muito difícil nos tempos de hoje, mas existe alguma música que você pensa ‘nossa, a gente poderia tocar essa música no lugar desta outra que é tão conhecida?
H.P.: As músicas quando são executadas no rádio ganham vida própria né? É algo interessante, mas é uma força da divulgação, porque, por exemplo, nós vivemos da nossa música, mas para que possamos viver dela, as pessoas precisam conhecer a nossa música. Tem músicas que elas acabam sendo conhecidas por execução no rádio, ou em programas de televisão, tem músicas que acabam ficando conhecidas pelas pessoas que compram os álbuns gostarem delas. Tem uma música do Skank que eu acho muito bonita, que se chama ‘Ali’ (do álbum ‘Maquinarama’ – 2000), que é uma música que nunca tocou no rádio, mas que muita gente pede. Mas tem músicas do nosso primeiro álbum, por exemplo, que só são conhecidas em Minas Gerais, porque o nosso primeiro álbum fez mais sucesso aqui no estado do que em outros lugares, então às vezes as pessoas pedem, por exemplo, a música ‘Tanto’, que é uma música do nosso álbum de estreia. E uma coisa que queria te pedir, pede para as pessoas que vão ao nosso show na Festa da Cerveja para fazerem cartazes pedindo o nome das músicas que elas querem ver no show, não precisa ser cartaz gigante, pode ser pequeno, mas que dê para enxergamos do palco. Nós queremos tocar o que o público quer ouvir.

 #VamosMusicalizar

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