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ENTREVISTA: RYAN ROXIE (ALICE COOPER)

Com mais de 40 anos de carreira, Alice Cooper sem dúvidas já conquistou (há muito tempo) o título de lenda da música, o rei e criador do chamado ‘Shock Rock’ coleciona diversos prêmios conquistados ao longo da carreira, mais de 50 milhões de álbuns vendidos, já foi eleito pela revista Rolling Stone como o “mais amado artista do heavy metal”, está na Calçada da Fama em Hollywood, no Rock and Roll Hall of Fame, e o mais importante, continua fazendo turnês por todo o mundo com a mesma eficiência de sempre.
Um fato interessante é que, Alice sempre teve excelentes músicos ao seu lado, como Steve Hunter, Dick Wagner, Orianthi, e muitos outros. Mas, sem dúvidas podemos garantir, a atual formação da banda de Alice Cooper vem se superando a cada dia, com: Nita Strauss (guitarra), Ryan Roxie (guitarra), Tommy Henriksen (guitarra), Chuck Garric (baixo) e Glen Sobel (bateria), além de Alice Cooper no vocal, é claro.

E foi com um destes incríveis musicos que conversei com exclusividade, ninguém melhor que Ryan Roxie (que está na banda desde 1996) para falar de tudo que envolve sua carreira na banda de Cooper. Confira a entrevista:

Pedro Gianelli: Ryan, para começarmos, conte-nos como foi seu primeiro encontro com Alice Cooper. Qual foi sua sensação quando Alice disse: “Ryan Roxie, você está contratado!”?

Ryan Roxie: (Risos) Foi de longe, um dos maiores momentos que tive na minha carreira. Tudo começou a acontecer a partir daí. Então, eu sabia que quando eu começasse a fazer turnês, alguma coisa em mim ia mudar, musicalmente. Foi muito legal, foi muita sorte e muito casual, é isso que eu gosto no Alice Cooper, ele é realmente uma boa pessoa.

P.G.: Você teve sua primeira passagem na banda de Alice Cooper em 1996 até 2006. E vocês lançaram excelentes álbuns! Mas qual é a diferença entre o Ryan Roxie que gravou ‘A Fistful of Alice’ (1997) e o Ryan Roxie que gravou ‘Dirty Diamonds’ (2005)?

R.R.: A diferença é algo bobo, talvez o corte de cabelo (risos). Mas, felizmente, o jeito de tocar guitarra e atitude foram os mesmos. Sempre tentando tocar as melhores partes de guitarra das músicas, e acho que consegui fazer isso. Eu acho que meu estilo sempre caiu bem no lado mais sleaze de Alice Cooper, algo mais parecido com o estilo da Alice Cooper’s Band dos anos 70. Mas ao mesmo tempo, eu adoro tocar todas as eras da música de Alice.

P.G: E qual é a diferença deste Ryan Roxie para o Ryan Roxie de 2015?

R.R.: Bom, eu acho que toquei mais guitarra (risos), e com isso adquiri muita experiência, inclusive experiências da vida, por exemplo, em 2006, tirei um tempo para mim mesmo, para ficar com meus filhos, na verdade, mudei para outro país, há quase 10 anos moro na Europa, na Suécia, então essas diferentes circunstâncias, mudam o meu jeito de tocar também.

P.G.: E como você disse, você vive na Suécia, existe alguma dificuldade para encontrar com a banda, para ensaiar, ou é melhor do que viver na mesma cidade que os outros membros?

R.R.: Nós temos muita sorte, porque toda a banda vêm de todas as partes do mundo. De vários estados dos Estados Unidos, um mora em Nashville, Alice vive no Arizona, outros vivem na Califórnia, mas eu e Tommy vivemos na Europa. Temos muita sorte de nos encontrar nas turnês, mas ao mesmo tempo, podemos ter nossas vidas nos lugares em que vivemos.

P.G.: Você tocou com vários músicos na banda de Alice Cooper, como Orianthi, por exemplo. Mas com Nita Strauss na banda, não sei... parece que existe um novo ambiente, vocês se completam no palco. Existe um clima melhor na banda? Essa é a melhor formação do Alice Cooper?

R.R.: Essa é a melhor formação do Alice Cooper, na minha opinião! Mas todo mundo está envolvido, e não é apenas no sentido de uma banda, é no sentido de uma família! Muitas famílias estão conosco nas estradas, eu tento levar as pessoas próximas a mim, Alice tem a sua mulher, que está com ele nas turnês e nos shows, então este ambiente familiar deixa o aspecto musical mais unido. E eu também gosto de ter três guitarras tocando na banda, e todos nós tocamos partes diferentes das músicas, e no final do dia parece que tem uma grande parede de música na nossa frente. Então, sim, essa é uma das minhas formações favoritas!

P.G.: E vocês estão em turnê com o Mötley Crüe, como é tocar com duas lendas do rock n’ roll?

R.R.: Mötley Crüe é uma das razões que me fez querer tocar rock n’ roll. Eu me lembro de ter visto o Crüe pela primeira vez em 1983, em um pequeno clube no norte da Califórnia, e talvez tinham 150 pessoas na plateia, e eles tocaram um show que era maior que a vida, e foi quando eu fui neste show, que eu quis espetar meu cabelo, vestir preto, e com certeza, eu queria ser a segunda encarnação do Nikki Sixx (risos).

P.G.: Eu também (risos)! Isso acontece!

R.R.: Você tem que querer ser a segunda encarnação do Ryan Roxie! Vamos lá! (Risos)

P.G.: (Risos) Eu vou tentar, cara! Prometo!

R.R.: Obrigado! (Risos)

P.G.: Você tem vários projetos legais, como: Roxie 77, Casablanca, e um ótimo programa, o “The Big Rock Show”. Mas como estão esses projetos com você tocando com o Alice Cooper?

R.R.: Bom, eu ainda tento fazer o máximo que posso quando não estou em turnê com o Alice, mas tenho sorte de as turnês com o Alice estarem bem consistentes há uns 3 anos. E quando não estou em turnê, tento dar o meu melhor, continuando com os meus próprios projetos, e participar de coisas que eu acho que são musicalmente e criativamente positivas. Eu acho que, Roxie 77 é o meu coração, porque os meus melhores amigos estão tocando na banda, e eu acho que, as músicas que saem dessa banda estão bem próximas de mim, eu tomo a frente da banda, então é algo completamente diferente do que eu faço no Alice Cooper, eu amo os dois igualmente. Mas é muito bom, quando eu não estou em turnê com Alice, ser o frontman da minha banda. Nós gravamos e lançamos um EP, chamado ‘The Ameriswed’.

P.G.: Você tocou com Gilby Clark e Slash’s Snakepit. Qual é a diferença em tocar com Gilby, Slash e Alice Cooper?

R.R.: Eu sou muito sortudo em poder tocar com grandes músicos, com diferentes estilos, todos com guitarras pesadas, mas com estilos diferentes, e personalidades diferentes. Então, todas as personalidades deles me deram mais inspiração de como eu queria ser. São todos em tipos de música diferentes, mas todos os três, inclusive eu, amam guitarras realmente muito altas, e é isso que deixa suas músicas todas pesadas, todos têm guitarras na linha de frente, e isso me deixa feliz, eu acho que se você tiver uma boa melodia alinhada com um riff de guitarra poderoso, você terá uma grande banda de rock n’ roll.

P.G.: Você pode nos contar uma coisa louca que vocês já fizeram quando estão em turnê com o Alice Cooper?

R.R.: (Risos) O que nós não fizemos em turnê? Acho que é mais fácil (risos). Nós já tocamos em várias circunstâncias diferentes, em aviões, trens, recentemente, voltamos de um cruzeiro em um navio. É bom que, todo ano tem algo novo para fazermos, isso me dá inspiração. Por exemplos, vamos tocar em lugares que todo guitarrista gostaria de tocar, com o Mötley Crüe, vamos tocar no Hollywood Bowl e no Madison Square Garden, então quando penso em tocar nesses lugares tão especiais, fico muito agradecido por Alice ter uma carreira tão incrível e deixar eu fazer parte dela.

P.G.: E você sabe, Alice Cooper “corta a cabeça dele todo show”, você já se imaginou fazendo isso?

R.R.: (Risos) Ainda bem que meu único trabalho com o Alice Cooper é tocar guitarra e cantar alguns backin’ vocals, todos lutam com alguns monstros que ficam no palco, mas cortar a cabeça... esse é o trabalho de Alice Cooper. Alice ofereceu cortar a cabeça dos 4 caras do Mötley Crüe no último show deles, esse será definitivamente uma última raiz (risos).

P.G.: E vocês têm uma agenda bem cheia de shows há alguns anos atrás, mas quando vamos ver um novo material com essa nova formação do Alice Cooper? Um CD, DVD, ou alguma outra coisa.

R.R.: Bom, acho que isso está em um futuro próximo. Alice fala muito sobre isso, mas assim como eu, Alice tem alguns outros projetos por aí, como o Hollywood Vampires, mas ele fala que quer muito um novo material com essa formação. E quando ele decidir, todos estamos mais do que prontos, porque, como disse, essa formação toca muito bem juntos, e detonamos toda noite, pelo menos é o que vemos nas críticas, que essa formação é consistente, poderosa, estamos todos prontos para gravar algo em breve.

P.G.: Agora, você pode falar uma qualidade e um defeito de cada membro da banda?


R.R.: Tenho que manter o que minha mãe dizia para não criticar as pessoas (risos). Mas começando com Chuck Garric, que está na banda desde quando eu entrei, ele é nossa base, tem um som próprio do baixo no palco, basicamente, ele é o rock! Agora vamos para Glen Sobel, o que posso dizer de Glen? Ele é como uma máquina! Ele é um monstro! Então quando você vê ele tocando, dá vontade de bater a cabeça na parede, e falar ‘como uma única pessoa pode fazer isso?’, porque ser baterista no Alice Cooper, não é o mesmo que ser baterista em qualquer outra banda, nós tivemos outros bateristas que vieram e falaram: ‘cara, eu não sei se posso fazer essa turnê, porque não tem descanso’. E Glen pode fazer o que ele faz toda noite, acho que esse é o grande defeito dele, porque quebramos nossas cabeças querendo fazer isso também (risos). E agora, indo para Tommy, nós dois crescemos tocando na cena musical de Los Angeles, conheci ele quando tocava na D.P.M. (Dad’s Porno Mag), e ele estava na P.O.L., tocamos em shows juntos em diferentes bandas, e agora tocamos na mesma banda, tocamos muito bem juntos, assim como Nita, ela é a mais nova da banda, e ela está fazendo um excelente trabalho, estabelecendo a si mesma não só como apenas uma guitarrista, mas estabelecendo o seu nome por onde passa. Acho que essa turnê com o Alice é apenas o começo de várias coisas boas que vão acontecer para ela. Todos nossos nomes estão na história. E a história é Alice Cooper, o que dizer sobre ele? Ele é o melhor chefe que alguém poderia ter. Ele é um irmão no rock n’ roll, mas ao mesmo tempo, sabemos quem é o chefe, sabemos quem comanda o show, só existe uma pessoa que pode comandar essa banda, e é ele!

P.G.: Eu tenho que perguntar, Nita Strauss é uma fanática pelo Seattle Seahawks, como ela estava depois do Super Bowl, em que o Seahawks perdeu?

R.R.: Eu acho que ela não falou por uma semana (risos), mas eu acho que parte da voz dela ter sumido, é porque ela deve ter gritado muito durante toda a temporada, ela acompanha o time o ano todo. Existem muitos torcedores hardcore da NFL na banda, eu sou um torcedor do Oakland Raiders, mesmo sabendo que não tenho nada para comemorar por 10 anos (risos), mas continuo um grande torcedor, e acho que todo ano vai ser O ano, então o próximo ano será O ano (risos). Mas todos nós fomos ver um jogo do Seattle Seahawks no ano passado, foi legal ver 60.000 Nita Strauss gritando pelo estádio (risos).

P.G.: Alice Cooper vem ao Brasil com o Hollywood Vampires para tocar no Rock in Rio. Mas quando vamos ver a banda Alice Cooper no Brasil, existe algo negociado?

R.R.: Eu adoraria! Porque eu nunca fiz turnês com o Alice Cooper na América do Sul, toquei na América do Sul com Gilby Clarke, quando nós abrimos o show para o Aerosmith, e fiz outros projetos por aí. Mas estou esperando por muito tempo desde que toquei aí pela última vez, então definitivamente é uma boa hora para Ryan Roxie fazer parte da América do Sul novamente.

Ryan Roxie ainda deixou um recado para todos os fãs brasileiros, que pode ser visto AQUI!

#VamosMusicalizar

(www.vamosmusicalizar.com.br)



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