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ENTREVISTA: DANI NOLDEN (SHADOWSIDE)

A banda Shadowside sem dúvidas é uma das maiores bandas da história do metal brasileiro, com guitarras realmente pesadas, bateria destruidora, um baixo que completa perfeitamente o som, e com um vocal de dar inveja a qualquer ‘marmanjo’. A vocalista, Dani Nolden, deixa de lado o lado ‘mocinha’ quando sobe ao palco, e solta todos os demônios que possui, transformando isto tudo em nada menos do que, Shadowside.
A banda foi formada em Santos-SP, e chamou muita a atenção da imprensa e de alguns fãs logo no primeiro álbum, ‘Theatre of Shadows’ (posterior ao EP, ‘Shadowside’). A partir de então, a banda já realizou shows e turnês com bandas gigantes, entre elas: Iron Maiden, Helloween, W.A.S.P. Conquistaram os EUA e a Europa, venderam milhares de discos, e o último disco, ‘Inner Monster Out’ é considerado um dos principais álbuns da história do metal. Esse é o Brasil, com grandes bandas de metal, e você aí, pagando R$ 200,00 em um ingresso para ver uma banda estrangeira.
Em entrevista exclusiva com a vocalista, Dani Nolden, ela contou tudo sobre o Shadowside, as turnês gigantescas, novos álbuns e muito mais.


Pedro Gianelli: Dani, o ‘Inner Monster Out’ é talvez o melhor disco da banda, pois vocês já estavam mais consolidados, mas como está o processo de vocês, já pensam em um novo disco, ou ainda estão esperando a poeira abaixar?

Dani Nolden: A poeira já está começando a abaixar, temos mais alguns shows pelo Brasil, e encerraremos a turnê. Durante a parada para a Copa do Mundo, começamos a trabalhar em novas músicas para o próximo álbum, mas compomos individualmente, depois nos juntamos, e trabalhamos como banda, em um estúdio. Talvez o disco fique pronto no final do ano ou até no ano que vem.

P.G.: Assim como o Sepultura, a agenda de shows de vocês tem mais shows fora do Brasil. Por que isso? O fã estrangeiro é mais caloroso, ou tocar em casa ainda tem um sabor a mais?

D.N.: A única diferença entre os países é a estrutura, claro, que o Brasil está melhorando muito nisso, hoje temos alguns organizadores que realmente se preocupam com a estrutura dada para as bandas, é algo que está mudando, e torcemos para que possa se igualar aos países europeus, ou até superarem. Quanto aos fãs, eles são fantásticos no mundo todo, seja no Brasil, na Espanha, na Itália, os fãs são muito malucos (risos).

P.G.: O Shadowside já realizou turnês com grandes nomes da música mundial, já tocou em mais de 20 países, é conhecido pelos estrangeiros como, ‘Brazilian Metal Hurricane’ (Furacão do Metal Brasileiro). Você diria que a banda é a mais nova sensação do metal?

D.N.: Vejo o Shadowside como uma banda de muita atitude e que gosta do que faz, temos muita dedicação e trabalhamos muito duro para estarmos onde estamos. Mas não considero que o Shadowside seja a mais nova sensação, esse seria o primeiro passo para nos acharmos demais (risos). Prefiro manter o foco no trabalho e deixar que os fãs definam o que somos.

P.G.: Voltando ao ‘Inner Monster Out’, o álbum teve um enorme reconhecimento no Brasil, se tornando um dos mais importantes da história do metal nacional. Fora do país vocês também tiveram esse grande sucesso com o álbum?

D.N.: Na verdade, foi até melhor, o álbum foi um dos 30 mais vendidos, de acordo com a ‘BURRN!’, uma das maiores revistas japonesas, ficamos entre os 10 mais tocados nos EUA. Sem dúvidas, esse álbum foi o que nos levou mais longe até agora, e isso é um desafio, porque agora não podemos lançar nada pior, temos que manter sempre a mesma qualidade (risos).

P.G.: Recentemente vocês tocaram em Belo Horizonte, junto com o Angra. Como foi dividir o palco com esta outra grande banda do metal nacional?

D.N.: O público de BH nos recebeu maravilhosamente bem, sabia que eram muito calorosos, mas foi uma surpresa, porque estávamos como banda convidada. E no camarim, o clima era de camaradagem entre as bandas, foi uma honra tocar com o Angra. Eles foram a primeira banda de metal que eu vi ao vivo, e tomei como referência o profissionalismo que eles têm.

P.G.: Uma curiosidade: em 2008, vocês quase abriram o show do Iron Maiden, mas aconteceu uma chuva gigantesca, e a participação de vocês foi cancelada. Algumas pessoas falaram que vocês teriam inventado esse show (risos). Mas em 2011, vocês tiveram essa oportunidade novamente, e abriram o show do Iron Maiden. Como foi dar essa resposta para essas pessoas?

D.N.: Foi a melhor resposta que poderia ser dada, como se diz: ‘a vingança é um prato que se come frio’ (risos). Mas o que aconteceu, é que, fomos escolhidos pelo próprio manager do Iron Maiden, 2 dias antes do show. E aconteceu toda essa chuva, e tivemos que cancelar nosso show, mas vimos que toda a equipe do Iron se empenhou ao máximo para que nosso show acontecesse, só que não teve jeito, por causa do transporte público. Além de ver o nosso sonho ir por água abaixo, tivemos que aguentar essas pessoas falando isso. Mas o manager deles disse para nós: ‘vamos lembrar de vocês’. E lembraram. Em 2011, fomos escolhidos novamente para sermos a banda de abertura do Iron Maiden, desta vez no Rio de Janeiro. Foi o melhor dia de nossas vidas. Vi no Iron Maiden, uma ética que bandas bem menores não têm, e nunca se espera isso de uma banda lendária como eles.

P.G.: A cena underground do rock/metal está cada vez mais escassa, você diria que a culpa está em quem? Na banda, nos produtores, nos fãs?

D.N.: Existem bandas realmente muito talentosas, mas as bandas cobram que o evento não dá a estrutura necessária, bom, se aquela estrutura está ali, é porque você concordou com o contratante que aquilo basta para o teu show. Se uma banda possui uma estrutura melhor que a sua, é porque aquela estrutura está apta para ela, não adianta reclamar com a outra banda. Se chegamos em um evento, e não temos uma estrutura, simplesmente não fazemos o evento, não adianta reclamar com as outras bandas ou com o produtor, você tem que estudar o mercado.

P.G.: Recentemente, você falou de como é dura a vida na estrada. Mas alguma vez, você já cogitou a possibilidade de abandonar toda essa vida?

D.N.: Claro, existem momentos que você pensa nisso, você não tem uma casa fixa, você não tem sequer uma cama fixa. Mas logo, tira essa ideia da cabeça, você começa a pesar os prós e contras, e vê que aquilo é o que você ama fazer. É uma situação difícil, pois muita das vezes não tem grana, muita gente fala que estamos nessa por causa do dinheiro, mas ninguém sabe que já passamos fome na estrada. É a hora de enfrentar o mundo. É hora de ter força. E é isso que é preciso para fazer turnê com uma banda grande, eles precisam de uma banda boa, mas principalmente, confiável, não dá para abandonar a turnê pela metade e deixar os caras na mão. Eles enxergam a importância de uma banda de abertura, temos que aquecer o público, as bandas mesmo falam, que se uma banda de abertura não for boa, eles que escutam a reclamação. A vida na estrada é muito dura, você tem que lidar com situações que você não estava preparado, é hora do improviso!

#VamosMusicalizar

(www.pedrogianelli.blogspot.com.br)
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