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ENTREVISTA: STEVE STEVENS (BILLY IDOL)


Prestes a lançar um novo álbum, após um hiato de 9 anos, com o disco ‘Devil’s Playground’ (2005), o cantor britânico, Billy Idol voltou à grande mídia e o mais importante, realizar novas turnês. Com uma parceria que dura 31 anos, o guitarrista Steve Stevens, que já tocou com nomes como: Michael Jackson, Slash, Vince Neil, e muitos outros, me concedeu uma entrevista exclusiva, onde falou sobre o novo álbum, os frequentes projetos paralelos, Brasil, e muito mais.

Pedro Gianelli: Billy tem o seu estilo totalmente voltado para o Punk Rock, e você, no Hard Rock, algo totalmente diferente. Como isso funciona até hoje?

Steve Stevens: Bom, Billy veio para Nova York após gravar três discos com sua antiga banda, Generation X, ele queria explorar novas áreas. Eu sempre cresci ouvindo guitarristas de Hard Rock, como: Jeff Beck, Jimmy Page. O fato é, eu estava em NY quando estourou  toda essa coisa do Punk Rock e da New Wave, eu entendo que esses movimentos são bem legais, mas eu via aquilo tudo, e queria juntar mais o aspecto “herói da guitarra”, e parece que Billy também, por mais que ele goste, a última coisa que ele queria era um guitarrista no estilo “Sex Pistols”. Então sofremos influências dos dois estilos (punk e hard rock), como: T-Rex, David Bowie, New York Dolls, queríamos ser um Yardbirds (risos).

P.G.: Os maiores sucessos do Billy Idol têm uma mistura de estilos, como na grande música, ‘Eyes Without a Face’, que tem um trecho que é como um rap. De onde vem essa inspiração? E você ainda quer continuar nesse mesmo estilo?

S.S.: Bom, isso tudo começou quando, eu morava em Nova York com meus pais, e nas rádios só tocavam esse estilo de música. E me lembro que quando estávamos gravando, eu pensava: ‘será que é certo fazer isso?’ Mas depois percebi que não podemos nos prender em apenas uma coisa, é muito bom fazer música e respirar novos ares.

P.G.: E finalmente no estúdio com Billy! Isso é incrível! Mas por que todo esse tempo para lançar um disco? Como o espaço entre Cyberpunk (1993) e Devil’s Playground (2005).

S.S.: Wow! Essa você me pegou (risos)! Mas vou lhe dar um exemplo, enquanto estamos em turnê, como na turnê do Rebel Yell (1983), nós nunca fomos essas bandas que escrevem na estrada, do tipo: ‘ah, estou no hotel e saiu um hit’, não, apenas saía porcarias, nós gostamos de trabalhar em cima das músicas, gostamos dos detalhes envolvidos, então acho que é por isso desse hiato todo.

P.G.: E você já sabe o nome do novo álbum, ou o nome de alguma faixa?

S.S.: Soube que Billy colocou o “nome” do álbum em seu Twitter, algo como BFI, mas ele gosta muito de pegadinhas (risos), então não sei.

P.G.: E você trabalhou com grandes artistas, como: Michael Jackson, Slash (Guns n’ Roses), Vince Neil (Mötley Crüe). Como foi trabalhar com esses artistas?

S.S.: Bom, a gravação com Vince Neil foi algo realmente muito bom, ele tinha acabado de sair do Mötley Crüe e queria fazer algo diferente, com um produtor que não tínhamos trabalhado. E é algo interessante, porque quando estou tocando músicas do Billy Idol, meus solos tem várias notas, mas é algo que já é fácil de identificar que é minha guitarra. Com Vince, eu tinha que tocar várias notas e o mais rápido que eu conseguisse (risos), foi um desafio, e eu realmente gosto muito de desafios.

P.G.: Existe algum artista que você ainda não trabalhou, e gostaria muito de trabalhar?

S.S.: Wow! Que pergunta difícil (risos)! Mas, não sei, acho que Peter Gabriel (Genesis), sou um grande fã dele, ele é um grande músico, fez grandes obras para o rock n’ roll, seria incrível. Estou aberto para negociar (risos).

P.G.: Você também tocou com Peter Criss (ex-baterista do KISS) em 1982. E na mesma época, Ace Frehley deixou o KISS. Você recebeu algum convite para se juntar ao KISS naquela época?

S.S.: Não, eu estava iniciando minha carreira com Billy Idol, e nosso empresário era o mesmo do KISS, Bill Aucoin, ele sabia que eu estava me juntando ao Billy, então, eu seria a última pessoa que eles chamariam. Mas o meu negócio com Peter, foi minha primeira gravação, ele me viu tocando com minha antiga banda, e quis gravar algumas canções minhas, foi ótimo.

P.G.: Mas você se juntou a Gene Simmons (KISS) no projeto, Rock and Roll All Stars. E com Slash (Guns n’ Roses) no King of Chaos. Como foi entrar em turnê com esses caras?

S.S.: Mudou minha mente, você sabe, todo mundo, inclusive eu, tinha o pensamento de que tudo que importava para o Gene era o mundo dos negócios, claro, que é super importante, mas naquele momento todos estavam para fazer música e se divertirem, o que funcionou muito bem. E Slash... wow! Conheço ele cerca de 20 anos, e ele é um dos meus guitarristas preferidos. Ele tem um estilo próprio, e eu gosto disso nos guitarristas, para mim a melhor característica em um guitarrista não é o tanto de notas que ele pode tocar, ou todas essas coisas, mas é aquele cara que é um herói com apenas 3 notas, ele é um ícone. Eu amo a dedicação que ele tem para o rock n’ roll, o jeito que ele toca, e faz as pessoas sentirem o que ele está sentindo, se eu pudesse veria um show dele toda noite.

P.G.: E você pretende continuar com esses projetos?

S.S.: Sim, seria ótimo. Acho que com o King of Chaos vamos fazer alguns shows, o mais complicado é juntar todos, porque todos têm a agenda lotada, mas acho que voltaremos no próximo ano.

P.G.: Você fez um projeto um tanto quanto diferente, com o Juno Reactor. Como foi mudar totalmente o seu estilo para isso?

S.S.: Foi algo estranho? Sim. Mas foi algo extremamente prazeroso. Gravamos a música ‘Pistolero’, o resultado foi incrível. Eu realmente gosto muito de música eletrônica, mas não tinha tocado isso, tive que aprender muitas coisas, é sempre bom aprender e atualizar-se.

P.G.: Você é um guitarrista totalmente flexível, seu projeto com Terry Bonzio e Tony Levine, suas trilhas sonoras para os filmes: Top Gun e Ace Ventura, a música gravada com Michael Jackson, ‘Dirty Diana’, e seu incrível disco solo, ‘Flamenco a Go-Go’. Podemos dizer que esse é o verdadeiro Steve Stevens?

S.S.: Sim, eu gosto de vários estilos musicais, existem grandes artistas em cada estilo, procuro juntar tudo isso, gosto de ficar procurando minha identidade, por isso faço tantos projetos em vários estilos, gosto de diversificar, não gosto de ficar preso em apenas um estilo musical, talvez as pessoas fiquem confusa com isso tudo, mas essa é a carreira que eu sempre quis, e eu sou feliz assim.

P.G.: A última vez que Billy Idol esteve no Brasil, foi em 1991, no Rock in Rio, você havia saído da banda. Mas agora, alguns fãs estão fazendo uma campanha, chamada #BillyIdolOnRiR2015. Qual é a possibilidade disso acontecer?

S.S.: É sério essa campanha? Que legal (risos)! Mas eu realmente espero que dê certo, será incrível. Amo o Brasil, quase tocamos aí com o Rock n’ Roll All Stars, no Metal Open Air, em
São Luís, mas a organização acabou com tudo. Se tudo correr bem, será simplesmente incrível!


#VamosMusicalizar



Steve ainda mandou uma mensagem para todos os fãs brasileiros, para ouvir, CLIQUE AQUI !


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