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ENTREVISTA: NITA STRAUSS (ALICE COOPER)

ENTREVISTA: NITA STRAUSS (ALICE COOPER)



Por: Giuliana Jarrin

Desde que rock ‘n’ roll existe, as mulheres desempenharam um papel importante no desenvolvimento e modelagem desse estilo. Desde os primeiros anos, podemos pensar em nomes como: Aretha Franklin, Tina Turner, Janis Joplin, Grace Slick, Stevie Nicks. Passou o tempo, mais e mais mulheres começaram a surgir na cena do Rock n’ Roll. Bandas e músicos como The Runaways, Heart, Annie Lenox e Joan Jett; governaram os anos 80. Essas mulheres, entre muitas outras, ano após ano, trouxeram o “Girl Power” ao gênero de rock. Muitas se tornaram uma grande influência sobre os artistas de sua geração e os nossos. Muitas são autoras de alguns dos maiores hinos do rock and roll e o motivo do sucesso de suas bandas.

Não. Este não será um artigo depressivo/triste. Estamos falando de mulheres poderosas, que inspiram a todos, homens e mulheres. E temos o exemplo perfeito: Nita Strauss. Como todos sabem, e para aqueles que não, Nita é membro da banda ‘Alice Cooper’. Não só ‘Alice Cooper’, Nita faz/fez parte de muitas bandas e projetos bem-sucedidos, como ‘The Iron Maidens’, ‘LA KISS’ e ‘We Start Wars’, entre muitas outras grandes colaborações para as quais trabalhou.

Setembro será um mês interessante para a América do Sul. Muitas bandas irão visitar este lado do continente em alguns alguns festivais a serem realizados. Alice Cooper tocará em três datas no Brasil com sua banda. Nós falamos com Nita e lhe fizemos algumas perguntas sobre a turnê, a banda, ela mesma e sua carreira.

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Como uma mulher que trabalha na “indústria do rock” como você, eu entendo como esta cena pode ser um pouco difícil para nós, pelo menos na América do Sul ainda é um pouco estranho que as mulheres estejam envolvidas com Rock ‘N Roll. Você pode descrever como foi sua experiência, e quanto mudou desde que você deu sua primeiros passos até onde você está agora? Tem sido difícil? Você sente como se fosse difícil para as mulheres ganharem algum território no mundo do Rock ‘N Roll, ou foi um caminho oposto para você?

Definitivamente mudou muito desde quando entrei na indústria. Há 15 anos, eu estava sendo convidada a deixar o camarim, como era “apenas para membros da banda, não namoradas”. Agora, é muito mais comum que as mulheres estejam em bandas. Eu acho que os músicos ainda têm muito a provar, mas está melhorando.

Quando eu descobri que você iria se juntar a Alice Cooper, eu fiquei muito feliz por isso! Quais foram seus sentimentos quando você foi proposta para se juntar à banda? Como tem sido tocar com uma lenda tão grande como Alice Cooper? Como se sente para ser a única menina a tocar na banda? O que você diria que é a principal diferença entre tocar em uma banda de garotas como Iron Maidens e tocar com Alice Cooper?

Fiquei honrada e feliz demais quando recebi a ligação! Tem sido uma incrível experiência de aprendizagem com Alice. Os caras realmente me tratam mais como uma irmã mais do que qualquer coisa... É uma família tão grande que temos aqui na estrada. Sinceramente, não sinto muita diferença tocando nessa banda e na Iron Maidens... Exceto talvez que os monstros sejam um pouco maiores no show agora! (risos)

O show de Alice Cooper não é usual. Tem muita atuação envolvida e é muito teatral. Definitivamente, um dos shows mais bacanas que já vi. Na realidade, ver Alice Cooper ao vivo foi uma das razões pelas quais eu me tornei uma grande fã. Você pode compartilhar conosco o como é ter que tocar enquanto você tem que interagir com Frankenstein, guilhotinas, cadeiras elétricas e bonecos... entre outras coisas de pesadelos? (risos)

Definitivamente sinto-me afortunada de ter o treinamento dos meus anos com as Iron Maidens! Os adereços são maiores agora, mas o conceito é o mesmo - sendo consciente de onde você está no palco em relação ao show. Demora um pouco se acostumar, mas é realmente muito divertido fazer parte.

Você esteve envolvida em muitos projetos interessantes. definitivamente fez grandes passos que muitos guitarristas só podem sonhar. Qual é o momento que você diria que nunca esquecerá?

Eu acho que, mais recentemente, a maior conquista vem sendo lançar minha primeira música solo, ‘Pandemonium’. A música conta uma história verdadeiramente pessoal sobre minha própria vida, e lançar isso é algo que eu me orgulho muito. Estou ansiosa para lançar mais músicas instrumentais solo no futuro.

Há alguns anos, a Guitar World Magazine listou você como o número um 'guitarrista feminino que você deve conhecer', em sua lista Top 10. Normalmente, não sou uma fã de "Tops", MAS, naquele tempo eu concordei com eles. A última vez que te vi tocar com Alice Cooper foi no ano passado, em Orlando, FL, e eu vi pela primeira vez seu solo de guitarra e... WOW. Minha mente foi explodida! Ainda tenho calafrios toda vez que penso nisso. Isso me inspirou a voltar às minhas lições de guitarra. Você pode nos contar mais sobre quais são suas influências? O que ou quem fez você começar a tocar guitarra? Como você definiu seu estilo?
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Que honra que meu estilo de tocar te inspirou a pegar a guitarra de novo! Isto é tão legal! Minha principal influência foi Steve Vai, e foi assim que entrei na guitarra - depois de ver Vai no filme Crossroads. É sempre tão difícil definir o seu próprio estilo, mas acho que a melhor maneira de explicar é que eu apenas toco com o coração, e as notas que meu coração quer tocar são geralmente muito rápidas!

Como você se sente sobre vir para a América do Sul este ano? Você já esteve aqui antes, certo? O que você espera dessa turnê? Você sabe  que #VamosMusicalizar é um site brasileiro, o que você está realmente ansiosa para ver no Brasil? 
Estou muito, muito animada para voltar para a América do Sul! Definitivamente ansiosa para ver os fãs, alimentos e cultura brasileiros! Alguns dos shows favoritos da minha vida foram na América do Sul.

Fora do Alice Cooper, você está trabalhando atualmente em outros projetos? O que podemos esperar da Nita Strauss?


Sim, a minha banda We Start Wars lançou o nosso primeiro single, intitulado "The Animal Inside", que está disponível agora no iTunes, Amazon e Spotify. Então vou escrever e gravar mais músicas com eles e, claro, minha música solo também!


ALICE COOPER NO BRASIL

A lenda do rock n' roll Alice Cooper vem ao Brasil em setembro, para uma série de três shows, no Rio de Janeiro (Rock in Rio - 21/09), Curitiba (Live Curitiba - 24/09) e São Paulo (São Paulo Trip - 26/09). Apesar da grande procura, ainda há ingressos disponíveis para os shows de Curitiba e São Paulo, que podem ser comprados pelos sites: Disk Ingressos (Curitiba) Ingresso Rápido (São Paulo).

[EXCLUSIVO] Guitarrista do The Who confirma novo álbum e possível segunda turnê no Brasil

O The Who é, sem dúvidas, uma das bandas mais respeitadas da história do rock n' roll, com mais de 50 anos de carreira e uma coleção de hits, a banda chega pela primeira vez ao Brasil, para shows no São Paulo Trip (21/09), Rock in Rio (23) e Porto Alegre (26). 

O segredo da longevidade da banda está, sem dúvida alguma, na parceria duradoura de Roger Daltrey e Pete Townshend. Mas, além disso, o The Who possui uma competentíssima banda ao seu lado, que, se não fosse por ela, os britânicos não teriam tantos anos de sucesso pelo mundo. 

Na guitarra da banda, está Simon Townshend, irmão do também guitarrista, Pete Townshend. Simon, além de tocar no The Who desde 1996, possui uma excelente carreira solo e também faz parte do magnífico The Casbah Club. E foi com ele que falamos com exclusividade, para uma entrevista que revelou muitas novidades para a turnê brasileira do The Who e também sobre o futuro da banda britânica, confira:

Pedro Gianelli: Mesmo depois de tantos anos de carreira, o The Who está sempre se reinventando, não apenas na formação, mas também na música, como e por que vocês fazem isso?

Simon Townshend: As músicas são, na maioria das vezes, ideias do Pete [Townshend], e ele gosta de que todas as suas canções contem uma história, mostrem diversas faces, não apenas uma. Como guitarrista, ele sempre se reinventa, sempre está buscando coisas novas, um jeito de melhorar e isso, automaticamente, reflete nas músicas. Eles poderiam, facilmente, estar estagnados, depois de tudo que fizeram, sabe? Depois de ‘My Generation’, todos escutavam o The Who, mas eles sempre quiseram mais do que aquilo.

P.G.: Você também tem sua incrível e sólida carreira solo, mas como você ainda consegue mantê-la tocando no The Who? Porque, como eu sempre digo, bandas como o The Who são como um enorme transatlântico, você não consegue mudar de direção depois que já virou o barco (risos).

S.T.: Sim! De um tempo para cá, eu não estou tocando tanto solo como eu tocava antes, não consigo achar tempo para isso. Sabe, quando você está em turnê com uma banda como o The Who, você não tem tempo para escrever, gravar e fazer novas músicas, mas elas estão na sua cabeça a todo o tempo. Tenho que focar naquele momento, estar por dentro da turnê, então não consigo ser tão criativo assim, mas tudo está dentro de mim.

P.G.: Depois de 50 anos de carreira, o The Who finalmente está vindo para o Brasil. Você acha que, se isso acontecesse antes, não seria tão especial como é hoje?

S.T.: Sim! Com certeza, o tempo faz as coisas se tornarem especial, não é mesmo?

P.G.: Sem sombra de dúvidas! E também há um fato interessante, a maioria das pessoas que vão ver o The Who aqui no Brasil, mesmo os fãs mais antigos, nunca viu um show da banda antes. O que elas podem esperar?

S.T.: Oh! Elas vão ter uma noite incrível! O The Who está mais poderoso do que nunca! Roger [Daltrey] está cantando maravilhosamente bem agora, ele teve um problema recentemente, mas está voltando com a voz completa. A banda está incrível, com Zak Starkey na bateria, ele está em chamas, eu toco guitarra. Enfim, temos uma excelente banda para fazer uma turnê memorável!

P.G.: Como é, especialmente para você, pela primeira vez na América do Sul, poder tocar, além do The Who, com grandes bandas de diferentes gerações, como o Def Leppard e Guns n’ Roses?

S.T.: Será fantástico tocar com essas bandas! Elas são de uma geração mais atual do que a minha, e o que eles já fizeram pela música é algo simplesmente sensacional! Eu já os conheci pessoalmente antes e foi uma honra.

P.G.: Eu tenho certeza que, quando você estiver no Brasil, você vai ver que o público vai pular muito, cantar todas as músicas... Mas existe alguma canção que você gosta mais de tocar, de ouvir as pessoas cantando ela?

S.T.: Sim! ‘Join Together’ é uma boa escolha. É muito bom poder tocá-la e ouvir toda a plateia a cantando e pulando, é muito emocionante isso tudo. É uma das minhas preferidas da velha escola, eu me lembro de quando eu era criança, voltando da escola... Essa música esteve sempre em meu coração (risos).

P.G.: Você tem tocado com o The Who por um longo tempo. O que mudou na sua vida profissionalmente e pessoalmente?

S.T.: Pessoalmente, acho que se tornou mais fácil, eu não tenho que direcionar tanto as coisas que tenho que fazer, como tocar em pequenos clubes, o que eu ainda faço, porque eu gosto, mas diminuiu bastante. Profissionalmente, eu atingi uma plateia maior, sou capaz de conhecer mais pessoas através dos shows do The Who e normalmente encontro com elas, para assinar as coisas e tudo mais. Toda noite, antes do show, gosto de passar um tempo com essas pessoas, conhece-las melhor.

P.G.: Como é para você poder passar mais tempo com seu irmão, Pete, e mais do que isso, poder trabalhar com ele?

S.T.: Sim! Você tocou em um ponto interessante! Pete e eu nos vemos frequentemente, com nossas famílias, mas tiveram alguns anos que não nos vimos tanto, por causa de turnês e todas as coisas que as envolvem (risos). Mas sempre estivemos juntos, e eu amo isso, Pete também gosta muito de me ter por perto. Ele é como se fosse uma figura paterna para mim, sabe? Ele é 15, 16 anos mais velho do que eu, e nosso pai morreu quando eu tinha 26 anos e foi um período muito duro para mim, mas Pete veio e me ajudou muito naquela época. Então, sim, tem sido uma experiência maravilhosa passar mais tempo com ele.

P.G.: Muitas bandas por aí estão se aposentando, mas bandas como o The Who e Rolling Stones continuam tocando e, mais do que isso, em uma excelente forma. Você acha que o The Who está próximo de uma aposentadoria?

S.T.: Isso depende mais do vocalista, eu acho. Quero dizer, uma banda precisa ter um bom vocalista, precisa estar em boa forma e, mesmo assim, dar mais do que 100% no palco. Tocar guitarra é algo diferente, você consegue tocar por mais tempo e fazer muito barulho, cantar já não é assim. Roger está em uma excelente fase, acredite em mim, eu sou cantor e nunca vi algo assim na idade dele. Você não pode fazer isso pra sempre, não é mesmo? Eu não sei quanto tempo vai durar, mas posso te dizer que ele está 100% bem e está dando tudo, absolutamente tudo para entregar um excelente show.

P.G.: O último álbum foi lançado em 2006, ‘Endless Wire’. Existe um plano de gravar um novo álbum ou apenas excursionar pelo mundo?

S.T.: Pete planeja gravar um novo álbum, sim. Isso vai acontecer nos próximos anos, ele está com várias ideias prontas. Mas, por enquanto, queremos entregar uma excelente turnê. Eu odeio dizer isso, mas o tempo está acabando, então temos que correr com isso. Eu estou sempre no estúdio gravando músicas, mas é difícil quando você não pode fazer nada além disso (risos). Faremos essa turnê e logo depois que chegarmos e descansar um pouco, nos concentraremos nesse novo álbum.

P.G.: Eu sei que é muito cedo para isso, mas existe algum plano para voltar ao Brasil pela segunda vez ou talvez uma terceira?


S.T.: Sabe, nós tocamos no México, e todo o público mostrou para nós que nos amavam, Pete e Roger simplesmente não acreditavam no que viam. Quando eu estava no hotel, sozinho, de repente olhei e estávamos rodeados por milhares de pessoas e isso nos fez perceber quanto nós éramos importantes para aquelas pessoas, você ir no lugar que eles vivem significa muito para eles. E isso nos fez querer visitar alguns lugares que nós não havíamos visitado antes, nós tocamos no Havaí, na Austrália, e vários outros lugares que não estavam na nossa rota e agora estão e aí você percebe o quanto as pessoas que moram nesses lugares esperaram por esse momento, porque elas não podem viajar para outro lugar para ver suas bandas preferidas. Então, é bem provável que voltemos ao Brasil nos próximos anos, para mostrar para vocês a maior banda do planeta (risos).

Simon ainda enviou um recado para todos os fãs brasileiros, que pode ser conferido AQUI


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